Capitulo Um
Tomei mais um gole de água, pensando em quantas vezes eu tinha feito isso nos últimos minutos. A verdade e que eu estava com tédio, muito tédio. Ficava muito tempo deitada, vendo as linhas retas do teto. Com o tempo, eu me acostumei a por linhas retas em tudo, e a vida era apenas uma realidade chapada e cinza.
Para matar o tempo, inventava vícios. Uma semana, era contar os meus passos. Lembro de uma em que eu não parava de estalar os dedos. Naquele dia, era beber água. E foi depois de pensar em quantas vezes eu tinha bebido água nos últimos minutos, eu ouvi vindo do quarto o barulho de uma televisão ligada.
”E o que eu faço, quando não estou ocupada. Eu sigo uma pessoa durante algum tempo.As vezes e só uma tarde, mas já cheguei a seguir uma mesma pessoa por ate uma semana.’’
”Mas porque você faz isso, ficar fuçando a vida dos outros?’’
” Porque a vida dos outros e sempre mais interessante que a minha.’’
Nessa parte, eu parei de prestar atenção ao dialogo, porque já sabia o que poderia me tirar do terrível ócio em que eu estava metida naqueles dias de férias. Seguir pessoas, porque não? Era uma idéia bem romântica, e eu tinha consciência disso. Sabia também que São Luis não deveria ter nenhum morador muito excêntrico, mas decidi que não custava tentar. Com certeza, era melhor que beber água ou contar passos.
Enquanto eu descia três andares de escadas, pensava em qual seria o perfil da minha primeira vitima. Homem ou mulher? Jovem ou idoso? Ou quem sabe uma adolescente? Minha mente fervilhava de possibilidades e empolgação.
Queria alguém que morasse não muito longe de mim, por segurança (apesar de eu saber que lugar nenhum dessa cidade era exatamente seguro). Fui andar pela parte do Calhau que tem as casas mais bonitas. Resolvi ir de bicicleta, porque eu podia ver melhor as pessoas da rua.Não queria escolher uma rua especifica, então eu parei só quando fiquei muito cansada. Encostei minha bicicleta numa arvore qualquer e sentei na calcada, vendo o tempo passar.
Poucos carros passavam por ali. O chato era que eu não tinha vontade de seguir ninguém. As pessoas eram tão iguais, nenhuma sequer com algum traço marcante. Eu já estava pensando em qual seria o meu próximo vicio, já que esse não parecia estar funcionando. E eu estava quase me levantando daquela calcada, quando ouvi um barulho de carro vindo na contramão. Era um Hyundai em alta velocidade, que estacionou na frente da casa azul, na outra calcada. Meu corpo parecia grudado naquela calcada. Eu já sabia quem eu ia seguir, afinal.
Sobre ”As filhas da vibora”
“As filhas da vibora” e o nome de um livreco que eu estou fazendo, e que eu pretendo publicar aqui um capitulo de cada vez.A ideia do livro surgiu do tedio e por consequencia, acho que so verdadeiros entediados terao paciencia de chegar ao final.
Se por acaso alguem ler esse primeiro capitulo, tente relevar a falta de acentos e cedilhas e tambem alguns eventuais erros de concordancia e gramatica.